Papa pede ao padre Timothy Radcliffe para orientar o retiro do sínodo dos bispos

(Foto: Reprodução | Vatican Media)

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28 Janeiro 2023

O Papa Francisco pediu a Timothy Radcliffe, frade dominicano inglês, para liderar o retiro para bispos e demais participantes de uma das reuniões globais mais importantes da Igreja em décadas.

A reportagem é de Christopher Lamb, publicada por The Tablet, 23-01-2023.

O ex-Mestre da Ordem dos Pregadores (Dominicanos) orientará o encontro de oração de 1 a 3 de outubro de 2023 dos participantes da Assembleia do Sínodo dos Bispos no Vaticano.

O cardeal Jean-Claude Hollerich, relator geral do sínodo, disse em uma entrevista coletiva no Vaticano em 23 de janeiro que o retiro estava sendo organizado para enfatizar que o sínodo está enraizado na oração e na escuta.

Timothy Radcliffe, que liderou a ordem dominicana mundial de 1992 a 2001, é um conhecido pregador e escritor cujos livros foram traduzidos para 24 idiomas. Ele está baseado em Blackfriars em Oxford, onde ajudou a lançar um instituto de justiça social no College. É teólogo e é Doutor honorário na universidade de Oxford. Em 2015, ele foi nomeado consultor do então Pontifício Conselho de Justiça e Paz e é conhecido por sua abordagem pastoral sensível aos católicos gays e lésbicas, incluindo o apoio às uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.

Sua escolha como orientador do retiro  revela a estima o Papa tem pelo frade dominicano e reflete a longa experiência que as ordens religiosas têm de processos sinodais com foco na escuta e no discernimento comunitário. Dado que a prática da sinodalidade ainda é um conceito relativamente novo para a Igreja de rito latino, vários bispos presentes na assembleia de outubro tiveram pouco contato com os sínodos.

O encontro vaticano deve ser um momento crítico para o sínodo convocado pelo Papa sobre o tema de uma “Igreja sinodal: comunhão, participação, missão” que começou em outubro de 2021 e continuará até outubro de 2024. O processo envolveu um processo sem precedentes de ouvir os católicos de todo o mundo, mas também tem a resistência de uma minoria bem organizada que afirma que o processo é uma tentativa secreta de derrubar certos ensinamentos da Igreja. O cardeal Mario Grech, líder do escritório do sínodo em Roma, admitiu que “há quem se opõe abertamente” ao sínodo, incluindo o clero mais jovem.

“Os Sínodos dependem de ter confiança para falar e humildade para ouvir. Ouvir é ousar se abrir para pessoas que têm pontos de vista diferentes dos seus, pontos de vista com os quais você pode discordar fortemente”, disse o padre Timothy em um vídeo divulgado no ano passado. “Nossa sociedade teme a diferença, o Google e o Facebook têm algoritmos que nos direcionam para os que pensam da mesma forma, então somos tentados a viver em bolhas de pessoas que pensam a mesma coisa.”

Ele acrescentou: “A própria Igreja foi tocada por essas guerras culturais estéreis de esquerda e direita, e elas são infrutíferas”.

O cardeal Hollerich fez o anúncio de Timothy Radcliffe durante uma coletiva de imprensa, apresentando detalhes de um encontro ecumênico de oração a ser realizado antes do início da cúpula do sínodo. De 29 de setembro a 1º de outubro, os jovens serão convidados a Roma para uma série de eventos organizados por Taizé, a fraternidade cristã ecumênica, incluindo um encontro de oração na Basílica de São Pedro, presidido pelo Papa, para o qual todos os cristãos são convidados.

“A sinodalidade, com ênfase no Batismo e no Espírito Santo, é uma grande chance de ir mais longe no caminho do ecumenismo”, disse o cardeal Hollerich durante coletiva de imprensa, programada para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

A coletiva de imprensa contou com a presença do Ir. Alois, Prior da Comunidade de Taizé, do Arcebispo Ian Ernest, Diretor do Centro Anglicano, em Roma, do Arcebispo Khajag Barsamian, representante da Igreja Apostólica Armênia junto à Santa Sé, e do Rev. Christian Kireger, presidente da Conferência das Igrejas Européias e chefe da Federação Protestante da França.

O arcebispo Ernest enfatizou que o processo do sínodo global vai além das fronteiras da Igreja Católica. “Abre as portas para uma maior colaboração ecumênica”, acrescentou.

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